Comprar ou construir: como decidir o software da sua empresa
A escolha entre software pronto e software à medida não se decide pelo orçamento, decide-se pelo processo. As perguntas que fazemos num diagnóstico, e o caminho do meio que recomendamos na maioria dos casos.
Neste artigo
Há uma pergunta que aparece em quase todos os diagnósticos que fazemos: isto compra-se ou constrói-se?
A resposta honesta é que depende. Mas não depende do orçamento, depende do processo. E é possível lá chegar em meia hora de conversa, desde que as perguntas sejam feitas pela ordem certa.
Comece pelo processo, não pela ferramenta
O erro mais caro que vemos numa PME não é escolher mal o software. É escolher software antes de perceber o processo.
Quando uma empresa começa por comparar ferramentas, acaba a comparar funcionalidades que não sabe se vai usar, preços que não sabe se vai pagar e integrações que não sabe se precisa. A conversa fica sobre o produto quando devia estar sobre a operação.
Antes de olhar para qualquer ferramenta, vale a pena escrever em linguagem simples o que acontece hoje: quem faz, com que informação, com que frequência, e o que corre mal. Se essa descrição couber em meia página, existe quase de certeza uma solução pronta que a resolve. Se ocupar três páginas cheias de exceções, a resposta deixa de ser evidente.
Quando comprar é a decisão certa
Na maioria dos casos, é. E dizemo-lo a clientes que nos procuraram precisamente para construir.
O processo é igual em toda a gente
Faturação, contabilidade, processamento salarial, gestão documental, email. São processos regulados ou padronizados, em que a sua empresa não faz nada de diferente das outras e em que fazer diferente não traz vantagem nenhuma. Aqui, construir é pagar para reinventar aquilo que já existe testado por milhares de empresas.
A manutenção deixa de ser sua
Software comprado traz consigo atualizações legais, correções de segurança e suporte. Software construído passa-lhe essa responsabilidade para as mãos. Para um processo que muda por decreto uma vez por ano, isso é um encargo permanente que não compensa assumir.
Precisa de estar a funcionar este mês
Uma ferramenta comprada está operacional em dias. Um desenvolvimento à medida, mesmo pequeno, mede-se em semanas. Quando a urgência é real, comprar agora e rever daqui a um ano é uma decisão legítima, não uma cedência.
Quando compensa construir
Há situações em que comprar sai mais caro, e raramente é pelo preço da licença.
O processo é aquilo que o distingue
Se a forma como orçamenta, planeia produção ou atende clientes é parte do motivo pelo qual ganha trabalho, moldar essa forma a uma ferramenta genérica é destruir a vantagem para poupar na licença. É a única situação em que recomendamos construir sem hesitar.
O licenciamento por utilizador deixou de fazer contas
Muitas plataformas cobram por utilizador e por mês. Numa equipa de cinco pessoas isso é irrelevante. Numa operação com quarenta pessoas no terreno que só precisam de registar duas coisas por dia, o mesmo modelo passa a ser a maior rubrica de software da empresa. Vale sempre a pena fazer a conta a cinco anos antes de assinar.
Tem sistemas que precisam de falar uns com os outros
Quando o problema não é a falta de uma ferramenta, mas o facto de as três que já tem não comunicarem, comprar uma quarta agrava o problema. O que falta ali não é software novo, é integração.
O caminho do meio é quase sempre o certo
Na prática, poucas decisões são inteiramente comprar ou inteiramente construir.
O padrão que mais recomendamos é comprar a base e construir a diferença. O ERP continua a ser o ERP. A contabilidade fica onde está. E constrói-se, por cima, a camada fina que trata daquilo que é específico da sua operação: o formulário que a equipa de campo usa no telemóvel, a automatização que transforma um email num orçamento, o painel que junta dados de dois sistemas que nunca se falaram.
Essa camada é pequena, é sua e é substituível. Se daqui a três anos existir uma solução pronta que faça o mesmo, deita-se fora sem tocar em mais nada.
As perguntas que fazemos antes de recomendar
Num diagnóstico, são quase sempre estas cinco:
- Este processo é regulado ou é seu? Se é regulado, compra-se.
- Quantas exceções tem? Uma ferramenta pronta trata bem do caso normal e mal das exceções.
- Quantas pessoas vão usar isto, e com que intensidade? É o que define o modelo de custo.
- Com que sistemas tem de falar? É o que define se o problema é de ferramenta ou de integração.
- O que acontece se isto não existir? Se a resposta for que alguém faz à mão em duas horas por semana, talvez não compense nenhuma das opções.
Os erros que vemos com mais frequência
Moldar a empresa à ferramenta
Comprar é uma decisão sobre software. Mudar o processo para caber no software é uma decisão sobre a empresa, e costuma ser tomada por omissão, meses depois, quando já ninguém se lembra de que houve uma escolha.
Construir aquilo que já existe feito
Acontece quase sempre por uma razão compreensível: a versão pronta não fazia uma coisa. Construir tudo de raiz para resolver essa coisa é pagar cem por cento para corrigir cinco.
Na enbia, o diagnóstico começa por esta conversa e não pela proposta. Em muitos casos a recomendação é comprar algo que não vendemos, e dizemos. Quando compensa construir, construímos, e o código fica seu.